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Histórias


Belfort Filho


A chuva
Majestosas nuvens escuras trouxeram consigo a chuva. O calor diminuiu em parte. O cheiro da terra molhada invadiu maravilhosamente o ar. Uma “desvontade” invadiu o corpo. Não a indisposição de quem é avesso ao trabalho – não uma preguiça. Uma pausa ao corpo cansado, apenas. O barulho da água que pinga nas folhas das árvores me entorpece aos poucos. O turbilhão de obrigações que, em sequência, fervilhavam na mente vai perdendo sua importância. Contemplar é imperativo! A chuva
Belfort Filho


Vento
O vento trouxe um cheiro bom. Inspirei. Minha infância entrou pelas minhas narinas. Vi a mão de minha mãe mexendo a panela com uma colher de pau. Ouvi o ranger cadenciado dos armadores da rede de meu pai a cada balanço. Minha irmã mais nova correu para o quarto contrariada com alguma infantilidade; os outros dois continuaram assistindo He-man. O cachorro corria no quintal. Expirei. Minha infância saiu pelas minhas narinas.
Belfort Filho


Natalício e Guardamento
Sim, existem aqueles momentos inqualificáveis. Momentos em que quaisquer descrições seriam insuficientes. Então vamos lá. Uma grande amiga me comunicou sobre o falecimento de sua querida tia. Confesso, esse é um período intrigante da vida. Não faz muito tempo, comemorávamos a aprovação no vestibular dos amigos e não demorou para chegar ao período dos casamentos. Quando lembro ... casamentos apareciam aos montes. Primeiros casamentos, segundos casamentos e até uma amiga doida
Belfort Filho


Faixa de pedestres
Faixa de pedestres O semáforo vermelho irá tomar mais alguns minutos do tempo que já não disponho. Estendida à minha frente, a faixa de pedestres é o tapete para um sem-número de apressados anônimos. Existem momentos de contemplação em que o tempo se modifica para aprimorar a percepção, como que permitindo uma visão quadro a quadro de uma realidade que, de outra forma, passaria despercebida diante dos olhos, enquanto a própria realidade estaria parada. Uma mulher franzina é
Belfort Filho


A madrugada pela janela
A madrugada pela janela Os tempos eram outros. Tempos em que a paz e as estradas permitiam viagens noturnas demasiadamente tranquilas. Tempos em que os ônibus interestaduais possuíam janelas com cortinas que podiam e deviam ser abertas durante as viagens. O ar da noite entrava por essas janelas em rajadas de vento frio que faziam tremular fortemente as cortinas de tecido grosso. O saudosismo daquelas viagens me reencontrou pelo olfato, o ar que entrava trazendo consigo o ch
Belfort Filho
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